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May 11, 2010

Adolescência Em Perspectiva: Algumas Visões E Evolução Sobre Este Conceito

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“… uma transição entre outras, não sendo a única, nem a última.” (PALÁCIOS, 1995, p. 272)

Sem dúvida, os adolescentes existiram em todas as épocas e culturas (Almeida, 2007). E preocupações no tocante a essa etapa da vida também. A preocupação com os jovens não é recente. Uma das primeiras preocupações com tal tema foi retratada na Comédia teatral “As nuvens”, de Aristófanes, que data de 423 a.C. Assim que o texto se inicia temos contato com a queixa de Strepsíades a respeito de seu filho Fidípides, quando este passa a contrair dívidas em que seu pai, deveras preocupado, terá

de pagar para sustentar os caprichos do filho. Fidípides gasta os recursos paternos com cavalos, cocheiras, dentre outros interesses. Então, o pai reclama: “mas coitado de mim! Não posso dormir, atormentado pelas despesas, pelo custo das cocheiras e dos cavalos

e pelas dívidas contraídas por meu filho para sustentar tudo isso” (ARISTÓFANES, 1995, p. 13). E prossegue: “Ele exibe sua longa cabeleira, monta a cavalo, guia um carro, sonha com cavalos, enquanto eu estou minguando ao ver a lua trazendo os dias dos vencimentos, ao mesmo tempo que as dívidas e os juros se amontoam” (ARISTÓFANES, 1995, p. 13).

Anteriormente, a adolescência era considerada meramente uma etapa transitória entre a infância e a vida adulta e sua caracterização era evidenciada por comemorativos biológicos que registravam tal momento evolutivo do ser humano (Osorio, 1992). Contudo, atualmente, a adolescência vem se tornando, cada vez mais, um fenômeno estudado por vários segmentos sociais e áreas da ciência. Osorio (1992) identifica dois principais fatores que explicam o porquê à adolescência tornou-se uma temática de interesse universal:

•A explosão demográfica do pós-guerra, que trouxe como substancial conseqüência o crescimento percentual da população jovem mundial;

•A ampliação do intervalo da faixa etária com as características da adolescência.

É importante salientar que a concepção de adolescência, tal como se a concebe atualmente, remonta do final do século XIX, quando a partir da industrialização e implantação do sistema de produção em massa, os adultos passaram a se dedicar, mais amiúde, ao trabalho, e seus filhos tiveram de permanecer mais tempo nas instituições de ensino existentes (PALACIOS, 1995; LEVI; SCHIMITT, 1996). A própria industrialização, demandou mão de obra mais qualificada. A partir de então, as escolas se modernizaram para absorver o fluxo que a elas chegava.

Adolescência deriva de “Adolecere, uma palavra latina que significa crescer, desenvolver-se, tornar-se jovem” (BECKER, 1994, p. 8). Dessa forma, atualmente a adolescência é considerada uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, caracterizada por aspectos biológicos, psicológicos, sociais e culturais (GIKOVATE, 1977; FIERRO, 1983; ABERASTURY, 1986; CAMPOS, 1986; DOLTO, 1986; OSORIO, 1992; OUTEIRAL, 1994; BECKER, 1994; PALACIOS, 1995; GOLDENSTEIN, 1996; KAPLAN, 1996; LEVI; SCHIMITT, 1996; DENARI, 1997; CASTRO, 1998), que levarão a criança a se tornar adulta, acrescida da capacidade de reprodução, conforme acrescenta Aberastury (1986) e Zagury (1996). Há que se ressaltar que o adolescente vivencia tal conquista como a irrupção de um novo papel, que modifica sua posição frente ao mundo e que também o influencia em outros planos da vida dele.

Um período, sem dúvida, de inquestionável importância para as pessoas. A mais notável característica é o acentuado desenvolvimento físico com fortes transformações internas e externas. Ocorrem também mudanças marcantes nos campos intelectual e afetivo (ABERASTURY, 1986; CARRETERO; CASCÓN, 1995; FIERRO, 1995; ZAGURY, 1996; ALMEIDA, 2003). Outra importante mudança é o amadurecimento sexual, colocando em funcionamento glândulas que produzirão importantes hormônios.

Paralelamente, ao desenvolvimento físico interno e externo, ocorrem também, modificações de caráter social (FIERRO, 1983; CAMPOS, 1986; DOLTO, 1986; OSORIO, 1992; OUTEIRAL, 1994; BECKER, 1994; CARRETERO; CASCÓN, 1995; PALACIOS, 1995; GOLDENSTEIN, 1996; ZAGURY, 1996; ESSLINGER; KOVÁCS, 1999; ALMEIDA, 2003). O grupo de amigos tende a aumentar em importância e a tendência à imitação e identificação acentua-se marcadamente. Assim, a forma de se vestir, de falar, de agir, até mesmo os gostos tendem a ser muito influenciados pelo grupo. Temem não serem aceitos e valorizados pelos amigos e, portanto, procuram agir de acordo com o que faz a maioria, num processo de identificação com o grupo e seus componentes.

O fenômeno da adolescência pode ser analisado sob os mais variados prismas, na tentativa de se compreender melhor a dinâmica envolvida na mesma, pois faz se necessário compreendê-la no âmbito de uma totalidade, pois não se pode compreendê-la estudando separadamente os aspectos biológicos, psicológicos, sociais ou culturais (Osório, 1992).

De um modo genérico e pouco representativo, a adolescência é vista como um período preparatório para a vida adulta. Este quadro descreve de forma pouco pormenorizada seu conceito, pois, seguramente, a adolescência não é apenas um momento de iniciação para a vida adulta, muito menos, um instante de recapitulação da infância passada, de toda a experiência acumulada e agora posta em ordem, conforme afirma Kaplan (1996). Assim, longe de ser um intervalo temporal qualquer entre idades adjacentes (a infantil e a adulta), a adolescência constitui-se como um período contínuo e um processo dinâmico:

a) de ativa desconstrução de um passado pessoal, em parte retomado e mantido, e em contrapartida, abandonado e definitivamente preterido;

b) de projeto e de construção do futuro, a partir de um enorme potencial e acervo de possibilidades ativas que o adolescente possui e tem a consciência de possuir (Fierro, 1983).

Nesta fase, do ponto de vista psicológico, os adolescentes adquirem uma nova e superior forma de pensamento, em relação à anterior (fase das operações concretas, da infância) que lhes possibilitará conceber os acontecimentos ao seu redor, de forma diferente de como faziam até então. Tal pensamento, caracterizado por uma maior autonomia e precisão de seu raciocínio, foi denominado pela tradição piagetiana de pensamento formal, caracterizado pelo surgimento e desenvolvimento das operações formais (Palacios, 1995).

Um aspecto relevante colocado por Aberastury (1986) é o conflito do adolescente que padece de um luto pela ‘perda’ do corpo e de sua condição infantil, de sua identidade de criança e da relação tida com seus pais na infância. Para Tubert (1999) o corpo que é familiar da primeira infância é perdido e em seu lugar aparece um mal-estar em relação ao corpo – “um corpo desconhecido, suspeito, fonte de inquietude e, na medida em que remete à sexualidade, interpela e questiona o sujeito” (TUBERT, 1999, p. 59). Tal situação leva um determinado tempo para ser elaborada por alguns adolescentes, pois para outros, transcorre tranqüilamente. Essas mudanças e aceitações propiciarão para o adolescente, ferramentas adequadas para se enfrentar o futuro, haja vista implicarem na busca de uma nova identidade que vai se constituindo, diariamente, em planos conscientes e inconscientes, e a necessidade de se incluir as novas metamorfoses psicocorporais

Avançando para uma discussão mais abrangente, cabe salientar que se devem diferenciar os conceitos: puberdade e adolescência. Enquanto, o fenômeno da puberdade é universal, considerando-se, é claro, a diferença individual de cada ser humano, a adolescência pode ser considerada um recente produto ocidental.

Considerações como as de Campos (1986); Dolto (1986); Osorio (1992); Becker (1994); Palacios (1995), e de Zagury, (1996) entre outros, propõem que a universalidade da puberdade manifesta-se num mesmo intervalo cronológico para todos os membros de nossa espécie, exceto em casos raros, sendo caracterizada de modo geral, pelo conjunto de modificações físicas que transformam o corpo infantil, durante a segunda década de vida, em um corpo adulto, capacitado para a reprodução. Dentre estas transformações ocorridas destacam-se: aparecimento de pêlos (sobretudo, nas regiões pubianas, como sugere a etimologia do próprio nome: puberdade). Além disso, em meninos, a maturação sexual compreende os caracteres sexuais secundários, que incluem o crescimento dos testículos, produção de espermatozóides, através de emissões espontâneas, como poluções noturnas, ou comportamentos masturbatórios, também há o crescimento peniano, e diversas alterações de voz, até a acomodação final das cordas vocálicas.

Em contrapartida, a puberdade feminina começa com a menarca, primeira menstruação, que sinaliza o desencadeamento de outras alterações orgânicas tais como: arredondamento dos quadris, amadurecimento útero, desenvolvimento da vagina, clitóris, glândulas mamárias, com conseqüente pigmentação das auréolas e mamilos. Tais alterações são responsáveis pela metamorfose infantil que resultará a estrutura de corpo adulto, funcionamento ativo das gônadas e o aparecimento de características secundárias do sexo, que distinguem os indivíduos masculinos e femininos.

Os processos acima descritos são produzidos de maneira relativamente lenta, devendo-se destacar que determinadas metamorfoses mais visíveis para o observador externo, tais como mudanças de voz, pigmentação dos pêlos axilares e do rosto, no caso do gênero masculino; primeira menstruação, e desenvolvimento de mamas, nas meninas, são apenas a derradeira parte de um processo iniciado há bastante tempo. Desta forma, independentemente da idade que são iniciadas ou concluídas as mudanças corpóreas, o processo de crescimento físico, que ocorre na puberdade, apresenta o mesmo perfil para os diferentes indivíduos, isto é, todas as pessoas são normais do ponto de vista maturativo (Palacios, 1995). Ou como complementa outra autora: “Há muitas maneiras de ser normal” (MONTREYNAUD, 1994, p. 16).

Também, como já sinalizado anteriormente, a adolescência define-se por seus caracteres sócio-culturais. Este aspecto tem especial relevância para alguns teóricos, desde a década de 60, sobremaneira para Erikson (1968), que desenvolve sua teoria da moratória social1.

Há ainda outras abordagens a respeito de adolescência tais como em Dolto (1986); Osorio (1992); Bee (1996); Castro (1998), dentre outros, que a identificam como um mero fenômeno da mídia e da sociedade de consumo, ou ainda, como um estágio muito importante na história evolutiva do indivíduo.

Na sociedade, a adolescência é definida/entendida sob a égide do modelo econômico estando, seu término condicionado à independência econômica (SUPLICY, 1984; OSORIO, 1992). Neste sentido o término da adolescência, a exemplo do seu início, é bem mais difícil de ser determinado e novamente obedece a uma série de fatores de natureza sócio-cultural (Osorio, 1992). Alguns autores, como Dolto (1986) apontam para fatores outros que sinalizam esta fase, tais como, crescimento ósseo. Vê-se, pois, que as dificuldades para determinar o final desta fase do desenvolvimento humano são inerentes às diversas concepções e abordagens teóricas.

Então, em linhas gerais, a adolescência é o período que se segue de, por volta, dos 12 anos até a segunda década de vida, uma transição entre a infância e a fase adulta. É também um período de desenvolvimento social e pessoal que geralmente acompanha a época de modificações físicas (Palacios, 1995).

Por todas estas razões, “deve-se falar de adolescentes, em lugar de adolescência” (PALACIOS, 1995, p. 269), embora haja uma unanimidade entre os autores ao concordarem que a adolescência é uma fase transitória. Ou ainda, como complementa Castro (1998), conjuntamente com a infância, a adolescência possui hoje muitas faces.

1- Que segundo o autor seria o compasso de espera que a sociedade oferece para seus jovens membros, enquanto preparam-se para exercer suas atribuições como adultos.

Referências

ALMEIDA, T. (2007). A fragilidade do conceito de adolescência: afinal, como definir este período? Psicologia Brasil (São Paulo), 5, 27-29. Recuperado em junho de 2007 do site: http://www.psicologiabrasil.com.br/index2.php?mat=3

ALMEIDA, T. (2003). O perfil da escolha de objeto amoroso para o adolescente: Possíveis razões. São Carlos, SP: Departamento de Psicologia da UFSCar. Trabalho de conclusão de curso. 135 p.

ABERASTURY, A. et al. Adolescência.Tradução Ruth Cabral. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986. 246 p. (Biblioteca Artes Médicas).

ARISTÓFANES (1995). As nuvens. Só para Mulheres. Um Deus Chamado

Dinheiro. Tradução M. G. Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.

BEE, H. A criança em desenvolvimento. 7. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. 550 p.

BECKER, D. O que é a adolescência? 13. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. 98 p. (Coleção Primeiros Passos).

CAMPOS, D. M. S. Psicologia da adolescência. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 1986. 157 p.

CARRETERO, M. De la larga distância que separa la suposición de la certeza. In: Carretero, M.; Madruga, J. A. (Comp.). Lecturas de psicología del pensamiento. Madrid: Alianza Editorial, 1984. 452 p.

CARRETERO, M.; CASCÓN, J. A. L. Desenvolvimento cognitivo e aprendizagem na adolescência. In: COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. p. 273 – 287. v. 1.

CASTRO, L. R. Infância e adolescência na cultura de massa. Rio de Janeiro: Nau, 1998.

COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: psicologia evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 356 p. v. 1.

DENARI, F. E. O adolescente especial e a sexualidade: nem anjo, nem fera. 1997. 182 p. Tese (Doutorado em Educação Especial). Programa de Pós Graduação, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. 1997.

DOLTO, F. A causa dos adolescentes. Tradução Juliana Leite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 289 p.

ESSLINGER, I.; KOVÁCS, M. J. Adolescência: vida ou morte? São Paulo: Ática, 1999. 96 p. (Série Jovem Hoje).

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